terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

[Conto] As Duas Espadas de Arthur

 As Duas Espadas de Arthur


Naqueles dias em que a Britânia ainda não tinha nome certo,

o reino sangrava por falta de rei.


Os senhores brigavam entre si, cidades se fechavam em medo,

e o trono era apenas um lugar vazio esperando alguém que o merecesse.


Foi então que surgiu a pedra.


No pátio de uma velha igreja, durante o inverno mais rigoroso que alguém lembrava,

uma rocha apareceu como se sempre tivesse estado ali.

Cravada nela, havia uma espada simples, sem ornamentos,

e na lâmina lia-se:


“Aquele que retirar esta espada da pedra é, por direito divino, Rei da Britânia.”


Muitos tentaram.

Reis, guerreiros, nobres.

Nenhum conseguiu sequer fazê-la tremer.


Até que veio Arthur.


Um rapaz sem título, criado por Sir Ector,

escudeiro de um irmão que sonhava ser cavaleiro.

Arthur nem sabia que era filho de rei.

A espada não o chamava — apenas o aceitava.


Ele a puxou

como quem retira um galho preso na terra.


A pedra não resistiu.

O reino, sim.


A espada chamava-se Caliburn.


Não era mágica.

Não brilhava.

Mas carregava algo mais raro:

legitimidade.


Com Caliburn em mãos, Arthur foi coroado rei.

E com ela governou nos primeiros anos,

lutando não como lenda, mas como homem.

Cada golpe exigia força.

Cada batalha cobrava sangue.


Até que, num combate decisivo contra rei Pellinore,

a espada falhou.


Caliburn se partiu.


Não por fraqueza —

mas porque seu papel havia terminado.


Arthur não perdeu apenas uma arma naquele dia.

Perdeu a ilusão de que o direito ao trono bastava para manter um reino.


Foi então que Merlin o levou ao lago.


As águas eram imóveis demais para serem naturais.

Névoa rastejava sobre a superfície como respiração contida.

Arthur aproximou-se, ferido, desarmado, rei apenas no nome.


E das águas surgiu um braço.


Branco.

Feminino.

Silencioso.


Na mão, uma espada.


A lâmina era perfeita,

polida como espelho,

e o nome ecoou antes mesmo de ser dito:


Excalibur.


A Dama do Lago não explicou sua origem.

Não precisava.

Excalibur não era um símbolo —

era um pacto.


Arthur recebeu a espada,

e junto dela, a bainha.


Merlin advertiu:


“A espada mata.

A bainha salva.

Enquanto a usar, não sangrará até a morte.”


E assim foi.


Com Excalibur, Arthur não apenas venceu batalhas —

ele mudou o peso da guerra.

Onde antes havia esforço, havia destino.

Onde antes havia dúvida, havia certeza.


Mas toda magia cobra retorno.


Anos depois, traído, ferido mortalmente em Camlann,

Arthur compreendeu que Excalibur nunca foi dele.


À beira do lago, ordenou que a espada fosse devolvida.


Na terceira tentativa,

a lâmina foi lançada às águas.


O braço surgiu novamente,

segurou Excalibur no ar por um instante —

como se o mundo respirasse junto —

e então desapareceu.


Arthur fechou os olhos.


Caliburn lhe deu um trono.

Excalibur lhe deu uma lenda.

E o lago… levou tudo de volta.


Dizem que Arthur dorme ainda.

Não morto, apenas à espera.


Porque espadas podem ser quebradas,

mas pactos…

esses retornam.

Nenhum comentário:

Play Asia

Porta Curtas - Curta do Mês

De onde as pessoas lêem o blog!

Desenho do Mês

░░░░░░░░░░░░░███▓░░░░░░░░░░░
░░░░░░░░░░░██▒▒▒▒██░░░░░░░░░
░░░░░░░░░██▒▒▒▒▒▒▒▒█░░░░░░░░
░░░░░░░██▓▓▓▒▓▒▒▒▒▒█░░░░░░░░
░░░░░░█▓▓▓▓▓▓▒▓▒▒▒▒▒▓░░░░░░░
░░░░░█▓▓▓▓▓▓▓▓▒▓▒▒▒▒█░░░░░░░
░░░░░█▓▓▓▓▓▓▓▒▓▒▓▒▒▒███░░░░░
░░░░░█▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓▓░░░░█░░░░
░░░░░░▓▓███▓▓▓▓▓▓░░░░██░░░░░
░░░░░░█▓▓▓▓▓▓▓███▓▓██░░░░░░░
░░░░░░██████████░█▒██░░░░░░░
░░░░░░██████████▒█░█░░░░░░░░
░░░░░░░█████████▒█░░▒░░░░░░░
░░░░░░░▓███████▓▒░░█░░░░░░░░
░░░░░░░░▓████▓▒▒▒▒▒█░░░░░░░░
░░░░░▓████▓▓▓██▓▓█▓░░░░░░░░░
░░░▓█▒▒▒▒▒███▒▒██░░░░░░░░░░░
░░▓▒▓▒▒▒▒▒▒▒██▓█░█▓░░░░░░░░░
░░█▓▒▓▒▓▒▓▒██▓█▒░░░█░░░░░░░░
░█▓▓██▓▒▓▒█▓▓▓█▒░░█░█░░██▓░░
░███░░█▓▓▓█▓▓▓█▒▒█░░░██░░░█░
█░▓▓██████▒▒▒▒█▒█▒░░░█▒░░░█░

Publicidade