domingo, 12 de abril de 2026

Paz aos 40

Uma coisa que a gente só entende vivendo é o real peso da idade. A gente ouve as pessoas reclamando de muitas coisas, mas, na maioria das vezes, simplesmente pensamos: "comigo não vai ser assim". Às vezes a gente até se salva disso, mas, muitas vezes, por ironia do destino, acontece igual ou pior.


A voz muda, a saúde muda também. E com isso, temos que mudar hábitos e parte dos nossos objetivos, de certa forma.

Eu queria poder viver da minha arte desde criança. Infelizmente, devido à muitos detalhes, como não poder trabalhar quando criança, mesmo tendo vontade (e oportunidades), devido às leis do país, assim como também a dificuldade extrema que, não apenas as leis do país, mas também a concorrência desleal, e até mesmo escolhas pelo caminho, acabaram desviando muito desses objetivos.

Queria, desde cedo, ser um artista completo. Escrevia poesias, contos, letras de música em mãos de um idioma... E até me arriscava bastante! Com uma Giannini Sonic (modelo feito entre os anos 60/70), tentando tocar Heavy Metal e Hard Rock, acabava parecendo Punk Rock, bem cru. Mesmo no início de carreira, eu já fazia paródias, versões, e até autorais puxados para humor e críticas um tanto estranhas sobre a vida.

Além da música, também tentava outras artes. Quando criança, desenhava, e me aprimora a ao máximo. Cheguei a fazer retratos e caricaturas, que por certo tempo eram incrivelmente boas (essas ilustrações). Infelizmente, alguns percalços da vida me fizeram perder o gosto por desenhar. Eu pensava sim em criar histórias em quadrinhos e fazer animações para cinema e tv. Cheguei até a fazer cursos de StopMotion (um ministrado por Mario Galindo, inclusive).

Desde cedo, gostava muito de ler, e até era incentivado a usar minha criatividade, tendo facilidade para criar vozes diferentes, e interpretar cada voz como um personagem diferente. E sonhava em ser a voz de muitos desenhos animados. Hoje, com DRT de ator/diretor, já cheguei a fazer poucos trabalhos em dublagem, mas, infelizmente é uma área muito difícil de se conseguir algumas chances,e você LITERALMENTE precisa ter muito dinheiro sobrando e muito tempo livre, nos primeiros anos, para conseguir ter alguma chance, antes de realmente começar a conseguir pagar as contas com esse trabalho.

Me imaginava, quando criança, sendo alguém que escreveria histórias, transformaria em quadrinhos, filmes e animações, faria as vozes e criaria as trilhas sonoras. Hoje em dia, parte dessas coisas eu realmente faço, mas com muita dificuldade, já que vivo em um país que desestimula constantemente todo mundo.

Já cheguei até a ser organizador de eventos (ainda produzo alguns), mas, a dor de cabeça não compensa, com a falta de retorno, após muito gasto de tempo, dinheiro e saúde.

E o que houve de comum em TODAS essas áreas? Um país com leis que desincentivam diariamente, atrapalham demais, podam, dilaceram, frustram, e sempre me jogam para baixo. Não é à toa que eu sonho, desde jovem, em morar no Japão. Não tem as mesmas oportunidades que nos anos 90, mas ainda assim, em tempos de "crise econômica", o país segue indo bem melhor que aqui no Brasil em seus melhores momentos.


Lógico que, mesmo com os percalços, fui conhecendo muita gente, fazendo amizades (muitas até improváveis), mesmo em meio à muito sofrimento e injustiças. E esse é um ponto importante: as pessoas que conhecemos pelo caminho!

Será que meus próximos passos, me levarão para um futuro melhor?


É só eu continuar, que um dia saberei!!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

[Conto] As Duas Espadas de Arthur

 As Duas Espadas de Arthur


Naqueles dias em que a Britânia ainda não tinha nome certo,

o reino sangrava por falta de rei.


Os senhores brigavam entre si, cidades se fechavam em medo,

e o trono era apenas um lugar vazio esperando alguém que o merecesse.


Foi então que surgiu a pedra.


No pátio de uma velha igreja, durante o inverno mais rigoroso que alguém lembrava,

uma rocha apareceu como se sempre tivesse estado ali.

Cravada nela, havia uma espada simples, sem ornamentos,

e na lâmina lia-se:


“Aquele que retirar esta espada da pedra é, por direito divino, Rei da Britânia.”


Muitos tentaram.

Reis, guerreiros, nobres.

Nenhum conseguiu sequer fazê-la tremer.


Até que veio Arthur.


Um rapaz sem título, criado por Sir Ector,

escudeiro de um irmão que sonhava ser cavaleiro.

Arthur nem sabia que era filho de rei.

A espada não o chamava — apenas o aceitava.


Ele a puxou

como quem retira um galho preso na terra.


A pedra não resistiu.

O reino, sim.


A espada chamava-se Caliburn.


Não era mágica.

Não brilhava.

Mas carregava algo mais raro:

legitimidade.


Com Caliburn em mãos, Arthur foi coroado rei.

E com ela governou nos primeiros anos,

lutando não como lenda, mas como homem.

Cada golpe exigia força.

Cada batalha cobrava sangue.


Até que, num combate decisivo contra rei Pellinore,

a espada falhou.


Caliburn se partiu.


Não por fraqueza —

mas porque seu papel havia terminado.


Arthur não perdeu apenas uma arma naquele dia.

Perdeu a ilusão de que o direito ao trono bastava para manter um reino.


Foi então que Merlin o levou ao lago.


As águas eram imóveis demais para serem naturais.

Névoa rastejava sobre a superfície como respiração contida.

Arthur aproximou-se, ferido, desarmado, rei apenas no nome.


E das águas surgiu um braço.


Branco.

Feminino.

Silencioso.


Na mão, uma espada.


A lâmina era perfeita,

polida como espelho,

e o nome ecoou antes mesmo de ser dito:


Excalibur.


A Dama do Lago não explicou sua origem.

Não precisava.

Excalibur não era um símbolo —

era um pacto.


Arthur recebeu a espada,

e junto dela, a bainha.


Merlin advertiu:


“A espada mata.

A bainha salva.

Enquanto a usar, não sangrará até a morte.”


E assim foi.


Com Excalibur, Arthur não apenas venceu batalhas —

ele mudou o peso da guerra.

Onde antes havia esforço, havia destino.

Onde antes havia dúvida, havia certeza.


Mas toda magia cobra retorno.


Anos depois, traído, ferido mortalmente em Camlann,

Arthur compreendeu que Excalibur nunca foi dele.


À beira do lago, ordenou que a espada fosse devolvida.


Na terceira tentativa,

a lâmina foi lançada às águas.


O braço surgiu novamente,

segurou Excalibur no ar por um instante —

como se o mundo respirasse junto —

e então desapareceu.


Arthur fechou os olhos.


Caliburn lhe deu um trono.

Excalibur lhe deu uma lenda.

E o lago… levou tudo de volta.


Dizem que Arthur dorme ainda.

Não morto, apenas à espera.


Porque espadas podem ser quebradas,

mas pactos…

esses retornam.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Solitude aos 40

Depois que você vive intensamente tudo que tinha pra viver, passou por maus bocados, situações complexas, conheceu muita gente, realizou sonhos, viveu pesadelos, aguentou turbulências, e passa dos 39 anos como se tivesse vivido mais de 80… É aí que a verdadeira aventura começa, na solitude, no afastamento de tudo e de todos, em uma vida de solteiro em busca de paz interior e exterior.

A nossa história é toda nossa. Altos e baixos que vivemos, experiências únicas e intransferíveis, tudo que vivemos e aprendemos, ninguém fará igual. Cada momento sempre será único!

Infelizmente, dentre meus sonhos e objetivos, muitas coisas já não são mais possíveis devido à minha idade, ou mesmo devido à época atual impossibilitar certas coisas. Ser casado, ter filhos, etc. Foram tantos sonhos e objetivos frustrados por terceiros, que, agora surge uma última oportunidade, e por conta dela, irei ao Japão. Dependendo de como for, capaz de eu nunca mais querer retornar ao Brasil.

Curiosamente, o plano original era para eu ir aos 15 anos de idade pra lá, morar, trabalhar, estudar. E muitas coisas foram acontecendo pelo caminho, que me fizeram postergar e permanecer no Brasil. Talvez essa realmente seja minha última chance de embarcar nessa aventura.

Qual será meu destino?

Play Asia

Porta Curtas - Curta do Mês

De onde as pessoas lêem o blog!

Desenho do Mês

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