Uma coisa que a gente só entende vivendo é o real peso da idade. A gente ouve as pessoas reclamando de muitas coisas, mas, na maioria das vezes, simplesmente pensamos: "comigo não vai ser assim". Às vezes a gente até se salva disso, mas, muitas vezes, por ironia do destino, acontece igual ou pior.
A voz muda, a saúde muda também. E com isso, temos que mudar hábitos e parte dos nossos objetivos, de certa forma.
Eu queria poder viver da minha arte desde criança. Infelizmente, devido à muitos detalhes, como não poder trabalhar quando criança, mesmo tendo vontade (e oportunidades), devido às leis do país, assim como também a dificuldade extrema que, não apenas as leis do país, mas também a concorrência desleal, e até mesmo escolhas pelo caminho, acabaram desviando muito desses objetivos.
Queria, desde cedo, ser um artista completo. Escrevia poesias, contos, letras de música em mãos de um idioma... E até me arriscava bastante! Com uma Giannini Sonic (modelo feito entre os anos 60/70), tentando tocar Heavy Metal e Hard Rock, acabava parecendo Punk Rock, bem cru. Mesmo no início de carreira, eu já fazia paródias, versões, e até autorais puxados para humor e críticas um tanto estranhas sobre a vida.
Além da música, também tentava outras artes. Quando criança, desenhava, e me aprimora a ao máximo. Cheguei a fazer retratos e caricaturas, que por certo tempo eram incrivelmente boas (essas ilustrações). Infelizmente, alguns percalços da vida me fizeram perder o gosto por desenhar. Eu pensava sim em criar histórias em quadrinhos e fazer animações para cinema e tv. Cheguei até a fazer cursos de StopMotion (um ministrado por Mario Galindo, inclusive).
Desde cedo, gostava muito de ler, e até era incentivado a usar minha criatividade, tendo facilidade para criar vozes diferentes, e interpretar cada voz como um personagem diferente. E sonhava em ser a voz de muitos desenhos animados. Hoje, com DRT de ator/diretor, já cheguei a fazer poucos trabalhos em dublagem, mas, infelizmente é uma área muito difícil de se conseguir algumas chances,e você LITERALMENTE precisa ter muito dinheiro sobrando e muito tempo livre, nos primeiros anos, para conseguir ter alguma chance, antes de realmente começar a conseguir pagar as contas com esse trabalho.
Me imaginava, quando criança, sendo alguém que escreveria histórias, transformaria em quadrinhos, filmes e animações, faria as vozes e criaria as trilhas sonoras. Hoje em dia, parte dessas coisas eu realmente faço, mas com muita dificuldade, já que vivo em um país que desestimula constantemente todo mundo.
Já cheguei até a ser organizador de eventos (ainda produzo alguns), mas, a dor de cabeça não compensa, com a falta de retorno, após muito gasto de tempo, dinheiro e saúde.
E o que houve de comum em TODAS essas áreas? Um país com leis que desincentivam diariamente, atrapalham demais, podam, dilaceram, frustram, e sempre me jogam para baixo. Não é à toa que eu sonho, desde jovem, em morar no Japão. Não tem as mesmas oportunidades que nos anos 90, mas ainda assim, em tempos de "crise econômica", o país segue indo bem melhor que aqui no Brasil em seus melhores momentos.
Lógico que, mesmo com os percalços, fui conhecendo muita gente, fazendo amizades (muitas até improváveis), mesmo em meio à muito sofrimento e injustiças. E esse é um ponto importante: as pessoas que conhecemos pelo caminho!
Será que meus próximos passos, me levarão para um futuro melhor?
É só eu continuar, que um dia saberei!!!







